A castração muda o comportamento dos cães?
Quais seriam as vantagens, as alterações do comportamento canino causadas pela esterilização?
Falar em castração para nós, latinos, é sempre um tabu. Donos de cachorros, através de um processo sinestésico, imaginam logo como se a mutilação fosse com eles. Preferem doar seu cão e privar-se da sua companhia do que castrar um macho. Esses proprietários não se dão conta que, castrando, estão resolvendo,
praticamente, todos os problemas de agressividade, disputa de liderança, ciúmes, marcação de território com
a urina em cada canto da casa, mau comportamento sexual (subir na perna das
pessoas), ter que conseguir uma fêmea para acasalamento, estresse, nervosismo do cão, ansiedade, convivência em matilha
(família), afetividade etc. etc.
Muito longe de ser apenas uma mutilação, a castração é, muitas vezes, a única solução para um problema de convivência familiar. Um cão dominador, com espírito de liderança, pode tornar-se agressivo devido à masculinidade exacerbada e colocar em risco a integridade física das pessoas.
Na floresta os lobos disputam liderança sim, chegam até às vias de fato, mas lá não há proprietários de ninguém, lá um filho pode, perfeitamente, disputar a liderança com seu próprio pai, lá, realmente, quando um não quer o outro vai embora. Imagine seu cão disputando a liderança e você tendo que "ir embora" de sua própria casa.
Diferença do comportamento sexual de humanos e caninos
O grande problema para aceitar a emasculação de seu cão é a visão humana sobre o comportamento sexual. Tentamos entender os cães, imaginando como nos sentiríamos na mesma situação.
Nós, humanos, tanto machos quanto fêmeas, fazemos sexo por prazer e diversão. Quando acontece uma gravidez não planejada foi por acidente, falta de cuidado. Portanto, imaginar uma vida sem sexo constitui uma verdadeira tortura mental.
Os animais, no caso, os cães fazem sexo, exclusivamente, para procriar.
As fêmeas repelem, violenta e normalmente, os machos. Só aceitam a penetração no período fértil, durante o estro (cio):
apenas três dias de seis em seis meses e, salvo problemas de saúde, engravidam sempre. Somente durante esse período elas ficam ávidas por sexo e tudo farão para consumar o coito.
Os cães machos, salvo influência humana (bolinação
e masturbação), só se interessam por sexo em presença de uma fêmea no cio. Um casal, que convive num mesmo território, passa o ano inteiro junto sem sequer ensaiar um jogo amoroso.
Durante o cio, mesmo antes do período fértil, quando em companhia da fêmea, alguns machos tornam-se extremamente possessivos e agressivos, tentando preservar o que sentem como seu direito inalienável. Uma vez terminado o cio, retomam seu comportamento normal.
Não ficam pensando em sexo o ano inteiro como nós.
Para que o macho esteja sempre pronto para acasalar no momento em que uma fêmea
entrar no cio, a produção da testosterona, pelos testículos, é contínua e
ininterrupta. Na ausência da fêmea no cio,
o sentimento de posse dos machos, alimentado pelo hormônio produzido nos testículos, desvia esse comportamento, para seus proprietários, território e matilha. Com isso, desenvolvem o ciúme e o desejo da assunção da liderança na sua alcatéia. Afinal, é o líder quem deverá acasalar as fêmeas quando estiverem no período fértil.
Com a remoção das glândulas reprodutoras (testículos),
interrompemos a produção da testosterona, combustível que abastece todo esse
processo que gera o comportamento agressivo, assustador para nós humanos. O
consumo da testosterona, que leva a uma baixa dos níveis circulantes e uma significativa e progressiva redução do sentimento de posse manifestado pelo ciúme, tem, como conseqüência imediata, o declínio da disputa pela liderança
e, portanto, da agressividade. Pouco a pouco desaparecem os rosnados de aviso, os desafios, as incômodas urinadas pelos quatro cantos da casa como sinal de autoridade e a convivência torna-se a cada dia mais agradável.
Efeitos da Castração sobre cães machos
| Comportamento | Alterações pós cirurgia | Tempo |
| Agressão contra outros machos | ||
| sem
adestramento com adestramento sem resultado |
Redução
em 60% dos cães Redução em 90% 10% |
de
1 a 2 meses até os 3 meses |
| Dominância sobre o dono | ||
|
sem
adestramento |
Redução
em torno de 50% Redução em torno de 85% 15% |
de
20 dias a 3 meses de 2 a 3 meses |
| Marcação do território com urina | ||
| sem
adestramento com adestramento sem resultado |
Redução
em 50% Redução em 75% 25% |
de
2 a 3 meses 20 a 30 dias |
| Montar em outros cães ou pessoas | ||
| com
ou sem adestramento sem resultado |
Declínio
total até para montar em fêmeas no cio 0% |
20 a 30 dias |
| Fugas de casa | ||
| sem
adestramento com adestramento Sem resultado |
Redução
em 45% Redução gradual em 92% 8% |
20
a 30 dias 2 a 3 meses |
Efeitos e vantagens da castração nos machos
Eliminação da preocupação do proprietário em TER que cruzar seu cão. Obrigando-se a conseguir uma cadela para ele. O cão não liga mais para sexo, mas mantém suas características aparentes de masculinidade.
Redução considerável da ansiedade do cão, conseqüentemente, tornando-se mais feliz.
Redução considerável do ciúme entre as pessoas da família.
Redução quase a zero da necessidade de "marcar" seu território.
Eliminação do risco de atropelamento e brigas na rua por fuga.
Melhoria considerável no relacionamento familiar com a redução quase a zero da disputa pela liderança da matilha (família).
Melhora considerável no treinamento dos cães em fase de adestramento.
Redução da possibilidade de desenvolver problemas de próstata e tumores nos testículos.
Efeitos comportamentais da pan-histerectomia nas fêmeas.
| Comportamento |
Alterações
após a pan-histerectomia |
Tempo |
| Agressão contra outras fêmeas | ||
| Quando
realizada após o primeiro cio Antes do primeiro cio sem resultado perceptível |
Redução
em 40% das cadelas Redução em 70% 30% |
de
1 a 2 meses até os 3 meses |
| Dominância sobre o dono | ||
| Quando
realizada após o primeiro cio Antes do primeiro cio sem resultado perceptível |
Redução
em torno de 50% Redução em torno de 85% 15% |
de
20 dias a 3 meses de 2 a 3 meses |
| Deixar rastro com urina | ||
| Quando
realizada após o primeiro cio Antes do primeiro cio sem resultado perceptível |
Redução
em 50% Redução em 75% 25% |
de
2 a 3 meses 20 a 30 dias |
| Tensão pré, peri e pós Menstrual | ||
| Quando
realizada após o primeiro cio Antes do primeiro cio sem resultado perceptível |
Fraca
manifestação libidinosa. Declínio total do sexo. 0% |
20 a 30 dias |
| Fugas de casa | ||
| sem
adestramento com adestramento Sem resultado |
Redução
em 45% Redução gradual em 92% 8% |
20
a 30 dias 2 a 3 meses |
Efeitos e vantagens da castração nas fêmeas
Eliminação da preocupação da necessidade ou não de um acasalamento.
Eliminação das pseudocieses (gravidez psicológica).
Eliminação dos cios e, conseqüentemente, o incômodo sangramento e a indesejada gravidez.
Redução significativa da libido e do desejo sexual.
Redução considerável da ansiedade.
Eliminação do risco de atropelamento e brigas na rua por fuga.
Eliminação da possibilidade de câncer uterino.
Redução da incidência do câncer de mama, principalmente, se castrada antes do primeiro cio.
Castrar o macho ou a fêmea ?
Quando se tem que optar pela castração do macho ou da fêmea, a tendência da escolha recai sempre na fêmea.
Só que a castração do macho resulta em maiores benefícios.
Preço - a castração do macho é um procedimento ambulatorial simples, por serem órgãos externos, enquanto que a da fêmea é uma cirurgia de ventre aberto, necessitando de sala cirúrgica
asséptica e, portanto, mais onerosa.
Recuperação - a recuperação do pós operatório do macho é muito mais rápida e simples do que a da fêmea. O tempo de recuperação do macho também é menor.
Onde a castração não tem efeito.
Machos:
Mordedores de medo - cães que descobriram que seus donos têm medo deles e, também, que mordendo ou até somente rosnando conseguem resolver seus problemas de insegurança.
Instinto de territorialidade - pesquisas mostram que a castração não tem influência na guarda territorial, assim como na guarda pessoal.
Coragem - como sabemos, a coragem para vencer os medos faz parte da bagagem genética, não sofrendo qualquer tipo de influência hormonal. Resumindo o cão (macho ou fêmea) não se tornará mais corajoso ao ser castrado.
Tempo necessário para que o ato cirúrgico comece a produzir resultados.
As mudanças no comportamento poderão começar a serem notadas quando a dosagem hormonal chega a níveis reduzidos - em torno de duas a três semanas.
Mudanças nítidas do comportamento poderão ser percebidas entre um a dois meses após o procedimento cirúrgico e poderão se completar até os seis meses da data.